Aqui o tempo pára. Antes deixáva-nos todo o dia nas 17h32. Hoje já roda. Mas o tempo continua a parar. Na Ilha vive-se como se deve viver. Com tempo. Desse tempo verdadeiro. Que nos deixa viver ao segundo. Como se fosse ao minuto. Vale mais o tempo ali. Porque aqui vive-se. Ali, onde estou, dia após dia vai-se sobrevivendo.
«Sentir esta ilhas vibrarem...temer este mar circundante. É a força pura da vida que ali rebenta, energia viva do cosmo em furia. E tudo ali, naquele lugar da Meia Broa».
Há dias piores, em que uma espécie de nostalgia se apodera de mim e penso em voltar. São as saudades da montanha. Sempre omnipresente. Referencial de uma espécie de alegria inconsciente. Quando lá estou, pasmo como não me canso de procurar o Pico, várias vezes ao dia...Continuamente os meus olhos buscam essa visão estáticamente sublime, para nela descansar e sonhar. São momentos mágicos que ficam e nos dão animo para aguentar o resto do ano na diáspora. Qualquer dia volto...e fico.